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Resíduos de panificação reduzem impacto da pecuária

24Set

Resíduos de panificação reduzem impacto da pecuária

A utilização das sobras oriundas da fabricação de pães e bolos para a alimentação animal é conhecida dos pecuaristas, mas impõe desafios, tanto para a formulação das dietas, devido à falta de padrão do material, quanto para a estocagem, devido às altas chances de proliferação de fungos e toxinas. Em busca de soluções para estas questões, pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia (PPGZ/UFRRJ) avaliaram a adição dos resíduos de panificação no processo de ensilagem, o que resultou em aumento na eficiência de produção e redução na geração de efluentes.

Além disso, foi observado no estudo incremento no desempenho animal e melhoria no balanço nutricional da dieta, com tendência de redução da emissão de metano. “A adição de 5% do resíduo implicou no decréscimo de até 20% das frações fibrosas da silagem, o que representa um grande potencial quanto ao aumento na digestibilidade da dieta, eficiência metabólica e redução da emissão de metano pelos bovinos”, explica o professor do Instituto de Zootecnia (IZ), Rondineli Pavezzi Barbero, coordenador do estudo.

Para o docente, os resíduos da indústria alimentícia podem ser importantes para o desenvolvimento agropecuário considerando as mais variadas formas de utilização. A pesquisa desenvolvida pela UFRRJ busca formas eficientes de uso destes materiais, bem como transferência de tecnologias ao setor produtivo.

Por dentro da pesquisa
O processo de ensilagem consiste no armazenamento em condições anaeróbias de plantas colhidas no período chuvoso, para utilização na alimentação dos rebanhos durante o período seco, quando as condições climáticas impactam negativamente o pasto. As plantas que servem como fonte de alimento para os animais são chamadas de forrageiras.

O estudo da UFRRJ foi realizado em conjunto com fazendas comerciais do estado do Rio de Janeiro que já faziam uso isolado dos resíduos de panificação para alimentar bovinos. “A ideia foi testar a conservação conjunta da silagem com o resíduo. A adição na ensilagem pode proporcionar melhores condições de armazenamento tanto para as plantas forrageiras, quanto para o resíduo de panificação”, diz Barbero.

O docente explica que, no estudo, a planta forrageira capim-elefante foi colhida com diferentes idades, o que implica em variações na produtividade e características fermentativas importantes no processo de conservação, triturada e misturada a um percentual de até 15% do resíduo de panificação para, então, ser ensilada. Em pequena escala, este processo pode ser realizado manualmente, como feito na pesquisa. Em grande escala, podem ser utilizadas máquinas na ensilagem, como tratores e misturadores.

A ocorrência de perdas é comum neste processo, mas o método estudado contribuiu para a redução das perdas e para o aumento na eficiência da produção, o que reduz os impactos ambientais. “A inclusão de 15% do resíduo resultou na redução de 6% de perdas da massa total ensilada. Em termos práticos, essa diferença pode representar alimento suficiente para um bovino durante toda estação seca para cada hectare de forrageira”, afirma Barbero. A inclusão do resíduo também proporcionou redução de aproximadamente 4% das perdas por gases e das perdas por efluentes.

Fonte: UFRRJ

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